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sábado, 18 de dezembro de 2010

Billings vira lixão com água mais baixa



[caption id="attachment_1490" align="aligncenter" width="600" caption="Foto:Filipe Araújo/AE"][/caption]

A Represa Billings, uma das caixas d’água que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo, tem mais de oito quilômetros de margens tomados por toneladas de lixo – o mesmo que duas voltas completas no Autódromo de Interlagos ou o mesmo que 25 Torres Eiffel empilhadas. O problema está mais visível com o nível baixo das águas. A mancha de detritos – garrafas plásticas, papel, madeira, móveis inteiros e todo tipo de sujeira, além de esgoto in natura– se estende entre o Cantinho do Céu, região do Grajaú, zona sul da capital, até a cidade de Diadema, região do ABC.
Uma das piores partes, um braço da Billings com mais de 2,5 quilômetros quadrados, fica entre o Jardim Apura e Balneário São Francisco, bairro Pedreira, zona sul de São Paulo. Nessa localidade, o cheiro dos detritos em decomposição e de esgoto é bastante forte. Urubus fazem a festa na imensidão de sujeira. Valas de esgoto a céu aberto cortam ruas das comunidades e deságuam diretamente no manancial. Junto com esses dejetos escorre também muito lixo. Calçadas são tomadas por entulho e sujeira. As fortes chuvas dos últimos dias apenas encobriu um pouco o tamanho do problema.
A situação dramática levou o advogado e ambientalista Virgílio Alcides de Farias a ingressar com uma ação civil pública na Justiça para impedir a continuidade do bombeamento das águas sem tratamento do Rio Pinheiros para a Billings, exigir a remoção imediata do lixão na represa, além de iniciar operação em estações elevatórias de esgotos na região, para evitar o despejo de detritos residenciais nas águas do manancial.
A ação é contra a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), concessionária de serviço público de geração de energia elétrica na capital e responsável pela represa, a Prefeitura de São Paulo e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).
“Se você enfiar uma vara no chão nesse trecho da represa, ela afunda quase um metro. Isso significa que há um metro de lodo fecal. Fora o lixo acumulado. O bombeamento das águas contaminadas do Rio Pinheiros não pode continuar sem que seja feito o tratamento adequado. Estão sendo desrespeitadas as Constituições Federal e Estadual”, argumenta Farias. “A reversão das águas infectadas por esgotos e lixo, urbanos e industriais, vem, ao longo de décadas, convertendo o fundo do reservatório em imenso e lesivo lixão submerso.”
Origem do lixo. Basta andar pelas ruas do Balneário São Francisco e adjacências para ver lixo e entulho nas calçadas, além de valas a céu aberto. É o caso da Rua Sebastião Ferreira, uma pequena travessa da Avenida das Garoupas, onde tudo é precário. Lá a placa de identificação da via foi pintada a mão pelos moradores. A rua não existe oficialmente. Casas se espremem em vielas, com janelas à beira da via. Lixo se acumula nas estreitas calçadas e há uma vala que recebe canos das casas no entorno e escorre 24 horas por dia um líquido fedido: esgoto. A coleta de lixo é feita três vezes por semana. Mas é possível ver sacos com detritos à toda hora na via pública.
“A gente procura colocar o lixo na rua no dia que o lixeiro passa. Mas nem todo mundo é assim. Tem gente que comprou sofá novo e jogou o velho lá na frente. Adivinha onde isso vai parar”, conta a dona de casa Maria Filomena de Souza, que se mudou para o bairro há cinco anos.
Há 30 anos no bairro, Pedro Luiz Ribeiro diz que o problema do lixo na Billings nesse trecho é recorrente. A parte onde ele mora abriga casas com quintais e árvores e os moradores são mais organizados. Conseguiram até construir uma pista de corrida à beira da represa. “O poder público é totalmente omisso. Sempre reclamamos, pedimos providências e nada acontece. Mas tem responsabilidade também a população que mora nos morros, na Favela Nova Pantanal e outras. São áreas invadidas. O lixo e o esgoto descem desses locais e caem na represa. Há anos fizemos um projeto para resolver o problema e enviamos ao Emae. Nada foi feito.”
Ribeiro conta que o lixo começou a se avolumar na Billings há 15 anos, quando os bairros das redondezas cresceram com as invasões. “Os córregos viraram esgoto. Mas também é só encher o Rio Pinheiros que bombeiam tudo para cá. O resultado é esse aí, a sujeira e o esgoto que mataram a represa”, afirmou.

EMAE NÃO TEM PROJETO PARA A REGIÃO
A Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), responsável pela Represa Billings, não tem nenhum projeto para a limpeza do manancial ou para evitar o acúmulo de lixo em suas águas. Uma nota divulgada pela assessoria de imprensa da empresa diz que “a problemática do lixo e esgotos no reservatório é uma questão que deve ser enfrentada intensivamente pelo poder público estabelecido em todos os municípios do entorno. Só uma ação efetiva e simultânea na coleta e destinação adequada dos resíduos, antes que cheguem aos córregos, poderá reverter o quadro hoje existente”.
O lixo na Billings, diz a Emae, não é proveniente do bombeamento das águas do Rio Pinheiros para controle de cheias, pois as usinas elevatórias de Traição e Pedreira possuem grades de retenção de resíduos com máquinas especiais de limpeza continua que atuam durante os eventos de chuva. “Ainda com relação a mancha de lixo citada, desconhecemos a existência pois os resíduos se acumulam nas margens, carreados pelo vento”. Finalmente, a Emae, continua a nota, “tem feito várias campanhas educativas nas quais mobiliza mutirões de moradores para catação dos resíduos das margens, dentro de um programa de educação ambiental e social”.
A Sabesp informou que desenvolve programas que vão beneficiar cerca de 318 mil pessoas que moram no entorno da Billings com a instalação de redes coletoras de esgotos, coletores troncos e interceptores que exportarão os esgotos de todos os bairros contemplados nesses programas para uma estação de tratamento, segundo Roberval Tavares de Souza, superintendente da Unidade de Negócio Sul da Sabesp. “Há um investimento de aproximadamente R$ 917 milhões nessa região.”
A companhia informou ainda que as regiões do entorno da Billings estão sendo atendidas pelos programas Projeto Tietê, Pró Billings, Mananciais, Vida Nova – parceria entre Sabesp e a Prefeitura de São Paulo. A Subprefeitura de Cidade Ademar, responsável pelos bairros Jardim Apura, Balneário São Francisco e redondezas, procurada desde o dia 8, não se pronunciou.
Nos últimos quatro anos houve um salto no volume de esgoto gerado na bacia da Billings encaminhado para tratamento na ETE Barueri. Em 2007, 231,2 milhões de litros de esgoto por mês eram tratados. Hoje, diz o superintendente, esse volume é de 705 milhões de litros.
No Balneário São Francisco, localizado na margem direita, dos imóveis com ligação de água regularizada, 65% contam com coleta de esgoto. A comunidade possui seis estações elevatórias de esgoto que encaminham o esgoto coletado para a estação elevatória de esgoto Alvarenga para, posteriormente, serem bombeados para o Interceptor Pinheiros 6 e, então, tratados na ETE Barueri.
Na terceira etapa do Projeto Tietê mais duas estações elevatórias serão construídas até 2015, com investimento de R$ 800 mil e atenderão os imóveis localizados em área rural, quando, então, 90% do esgoto da comunidade deverão ser tratados. 

A Represa Billings é responsável pelo abastecimento de água de 1,2 milhão de habitantes da Grande São Paulo

Recebe aproximadamente 400 toneladas de lixo por dia

Parte de suas águas estão contaminadas por metais pesados como cobre, cádmio, chumbo, níquel e zinco, segundo pesquisa da Universidade de São Paulo (USP)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Sabesp assina contrato em Honduras

A Sabesp vai atuar agora em Honduras. A empresa ligada ao governo de São Paulo assinou hoje contrato com o governo hondurenho para prestar consultoria em gestão comercial e operacional a nove municípios do país ds América Central. O contrato é de três anos e vai custar R$ 2,3 milhões. Esta é a segundo licitação internacional vencida pela Sabesp. Em 2009, venceu disputa no Panamá. Já a previsão da empresa para levar água e esgoto tratado para todos os municípios do Estado de São Paulo é 2018.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Audiência sobre Trecho Norte do Rodoanel acaba em briga

A audiência pública para discutir os impactos ambientais do Trecho Norte do Rodoanel acabou em pancadaria ontem em Guarulhos. Havia dois grupos distintos entre as mais de mil pessoas que se espremiam no anfiteatro da Universidade de Guarulhos. Um deles contrário às obras das pistas que devem ligar os trechos Oeste ao Leste, passando pela Serra da Cantareira, Guarulhos e Arujá. E outro favorável.

Por falta de segurança, a reunião foi cancelada e um novo dia e local deverá ser definido hoje pela Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), empresa do governo do Estado responsável pela obra e pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), que organiza as audiências públicas.

A briga começou quando uma técnica dava explicações sobre os impactos ambientais da obra. Uma pessoa na plateia, contrária ao Rodoanel, interrompia a todo momento. O grupo a favor começou a mexer com a mulher do contra. Os ânimos ficaram cada vez mais acirrados até que várias pessoas começaram a trocar tapas e empurrões. A briga foi rápida, mas o suficiente para evitar o prosseguimento do encontro.

“Esse local ficou muito pequeno para a quantidade de pessoas que se apresentaram. A questão de segurança está prejudicada. Firmamos uma acordo aqui e amanhã (hoje) vamos escolher uma nova data e um local adequado para a audiência”, explicou Germano Seara Filho, secretário-executivo do Consema e presidente da audiência.

O grupo contrário era formado por moradores de bairros que serão divididos pelas pistas do tramo norte ou que terão de se mudar para dar lugar ao Rodoanel. Nossa proposta é que se utilize a Rodovia Dom Pedro I para ligar os trechos Oeste e Leste do Rodoanel, para não passar pela Cantareira. Se isso não for possível, que se utilize um túnel”, defende Daniele dos Santos Marques, que mora no bairro Cabuçu, em Guarulhos, onde vivem 75 mil pessoas.

Entre os favoráveis estava um grande grupo de pessoas que foi pago para acompanhar a audiência e mostrar cartazes com dizeres pró-Rodoanel. Esses cartazes eram todos escritos com a mesma letra. Essas pessoas, muitas vindas de ônibus da cidade de São Bernardo do Campo, receberam R$ 50 cada uma para ir à reunião. “Me deram R$ 50 para vir aqui e eu quero R$ 1 mil agora para não falar que fui pago”, disse um jovem que disse se chamar Ceará. Outra rapaz do mesmo grupo, de nome Luiz, falou que eles vieram de São Bernardo, mas não revelou quem teria pago a gratificação para todos.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Em plena seca, fantasma do diesel poluidor volta a São Paulo

O clima desértico de São Paulo e a péssima qualidade do ar podem ganhar mais um agravante. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) autorizou, em caráter excepcional, o fornecimento de óleo diesel S-500, com maior concentração de enxofre, para que a frota de ônibus urbano da capital não fique sem circular. A autorização é decorrente da possibilidade de o combustível menos poluente - o diesel S-50 - vir a faltar nas próximas semanas
Desde janeiro de 2009, os coletivos paulistanos utilizam o diesel S-50 fornecido pela Petrobrás, com menor quantidade de enxofre e menos poluente. Há também mais de 7 mil lotações que utilizam o produto.
A autorização foi concedida depois que as empresas concessionárias de transporte público de passageiros da capital acionaram a agência por causa de informações originadas na BR Distribuidora, As conversas davam conta de que o combustível menos poluidor poderia faltar. Uma negociação entre a Prefeitura de São Paulo e a ANP teria garantido a liberação do diesel 500 para evitar a falta do produto nas garagens das empresas.
No último dia 25, o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanus) enviou ofício ao secretário municipal de Transportes, Marcelo Cardinale Branco, solicitando providência urgente da Prefeitura junto à ANP para autorizar a Petrobrás a fornecer o diesel mais poluente como salvaguarda à operação dos ônibus, para o transporte de passageiros não parar. Nesta semana, o fornecimento de diesel às garagens foi normal, com o produto menos poluente.

A Petrobrás Distribuidora informou que na última quarta-feira, dia 25, cerca de 150 metros cúbicos (150 mil litros) de diesel do tipo S-500 foram vendidos no Pólo São Paulo. Segundo a empresa, esse volume corresponde a menos de 10% do total diário. A operação, diz nota da assessoria de imprensa, foi autorizada pela ANP e foi necessária para regularizar os estoques da unidade paulistana. Mesmo assim, não representa uma significativa alteração na rotina de abastecimento do mercado local.

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente aguarda resposta de ofícios à ANP e à Petrobrás enviados na ultima quinta-feira para se pronunciar.

O fornecimento do diesel S-50 apenas para grandes capitais é fruto de acordo com o Ministério Público Federal e Ministério do Meio Ambiente em 2008. Apesar de muitas críticas e pressão da sociedade organizada, esse acerto prorrogou para janeiro de 2013 a data em que o novo diesel menos poluente deverá estar disponível para todos os veículos novos.
Cronograma indica ainda que em janeiro de 2011 a substituição do combustível deverá ser feita nas frotas de ônibus das Regiões Metropolitanas do Estado de São Paulo (Baixada Santista, Campinas e São José dos Campos) e do Estado do Rio de Janeiro.

* A Secretaria Muncipais do Verde e Meio Ambiente informou há pouco que a autorização em caráter excepcional da ANP "viola o acordo feito com o Ministério Público em 2008, que estabelece o fornecimento obrigatório de diesel 50 para a frota de ônibus na cidade desde janeiro de 2009".

"A partir da comunicação das empresas de ônibus, foram enviados ofícios ao Ministério Público, IBAMA, Cetesb, Petrobrás e ANP solicitando informações quanto à veracidade desta informação e, comprovada a situação, vamos exigir que a Petrobrás sofra as sanções previstas no acordo e que se restabeleça de imediato a entrega 100% de diesel 50", diz nota da secretaria.

Atualizado às 11h16 de 28/8

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Tempo árido: Kassab não pedirá ajuda ao Cacique Cobra Coral

Nem supersticiosa, nem cética. A Prefeitura de São Paulo não deve utilizar o convênio com a Fundação Cacique Cobra Coral para pedir chuva sobre a cidade, que sofre com o tempo extremamente árido. A FCCC foi criada para intervir nos desequilíbrios provocados pelo homem na natureza. No Brasil, a fundação tem convênio gratuito com São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
O convênio com São Paulo foi assinado na gestão do prefeito José Serra, no dia 18 de agosto de 2005, conforme o decreto 45.683. As partes envolvidas são a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras e a Fundação Cacique Cobra Coral, pela agência de meteorologia Tunikito Meteorology Atmosphere and Ocean Ltda. O objeto do convênio é produzir  informações prévias em casos de calamidade, tais como inundações, secas, geadas, vendaval, tornado, granizo ou qualquer outra adversidade climática.

Municípios perdem poder e Estados farão licitações de aterros sanitários

A Política Nacional de Resíduos Sólidos, que está sendo regulamentada pelo governo federal, transfere para o Estado o poder de elaboração de planos de resíduos sólidos das regiões metropolitanas e microregiões. Em outras palavras, isso signfica que a competência para administrar os serviços públicos de manejo do lixo doméstico fica com o governo estadual. Ou seja: os municípios não terão mais o poder para fazer licitações de novos aterros sanitários nas regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas, Baixada Santista, Rio e outras localidades. Agora será o Estado. Talvez isso explique o porquê de a cidade de São Paulo, que está com seus dois aterros sanitários encerrados, ainda não ter aberto uma licitação para definir um novo depósito de lixo.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Dispositivo eletrônico vai monitorar lixeiras e material reciclável

A prefeitura começará a equipar lixeiras nas casas das pessoas com uma etiqueta eletrônica, parecidas com as utilizadas hoje nas praças de pedágio. Esse tag servirá para identificar o contribuinte responsável pelo equipamento e quanto de seu conteúdo está passando por reciclagem. Caso o material biodegradável dessa lixeira for menor de 10% do total dos detritos, o responsável será multado em US$ 100. Calma, isso não é em São Paulo onde a reciclagem... bem deixa isso pra lá. 

A utilização da tecnologia para garantir a reciclagem do lixo doméstico é um programa desenvolvido pela cidade de Cleveland, nos Estados Unidos. A administração local vai oferecer as lixeiras eletrônicas gratuitamente à população, como uma forma de incentivar a separação de materiais recicláveis. Qual o oncentivo que a prefeitura de sua cidade oferece para os moradores aumentarem a reciclagem do lixo?

terça-feira, 1 de junho de 2010

Mais R$ 600 milhões para despoluir o Tietê

A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado acaba de aprovar mais um empréstimo do  Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), no valor de R$ 600 milhões, para o programa de despoluição do Rio Tietê. O dinheiro vai financiar a terceira fase do projeto, que já consumiu mais de US$ 3 bilhões há quase duas décadas e o cheiro de esgoto na capital continua o mesmo. É a Sabesp que vai tocar.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Estoniano propõe megamutirão de limpeza de ruas no Brasil

Um grupo de 150 mil voluntários vai limpar as ruas da cidade do Rio de Janeiro em março de 2011. O megamutirão da faxina é organizado por um grupo de ambientalistas e tem como base ação semelhante já realizada em 2008 na Estônia, que envolveu 50 mil pessoas, 600 pessoas que trabalharam diretamente no projeto e 10 mil toneladas de lixo retiradas daquele país em um dia de trabalho. O objetivo é realizar ação semelhante em São Paulo em 2013 e em Belo Horizonte em 2012.
Batizada de “Campanha Limpa Brasil”, a campanha foi anunciada pelo estoniano Rainer Nolvak, idealizador da ação na Europa, no 3º Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade, no Rio. Nolvak quer limpar toda a capital fluminense com a ajuda de 150 mil voluntários, 50 empresas, 12 instituições públicas em novembro. Vai precisar de um financiamento de parceiros estimado em torno de R$ 3,8 milhões. Nesse momento está sendo montada a estrutura para administrar e organizar o megamutirão.
O movimento já conta com o apoio de várias empresas como a Votorantim, TAM, Vivo, Vale, Nokia, Banco do Brasil, Petrobrás, Brasil Previ e Eletrobras. A Unesco vai assinar a campanha. O objetivo do Limpa Brasil é fazer ações itinerantes em diferentes cidades do País, como São Paulo, Brasília e Belo Horizonte.
Em entrevista exclusiva, Nolvak disse que o grande sonho é ajudar as pessoas a limpar o planeta, país por país. “O Brasil é enorme, por isso é preciso muita coragem para limpar todo o país de uma vez. O Rio vem desenvolvendo uma infraestrutura que torna possível um resultado sustentável. Nós estamos ansiosos para saber como vamos trabalhamos com os cariocas. Cada lugar tem sua própria história e outros serão construidos com essa experiência”, afirmou.
“Aqui a campanha deverá ser realizada de forma diferente dos países europeus, que desenvolveram a limpeza em 24 horas. No Rio deveremos fazer em etapas, entre uma semana e um mês. Estamos fazendo o mapeamento e desenvolvendo a logística. Haverá campanhas educativas antes do evento”, explica Marta Rocha, da Atitude Brasil, que organiza a fase brasileira.
Nolvak destaca que é preciso utilizar a imaginação para concretizar a limpeza da cidade do Rio e pede mudança na mentalidade das pessoas. “Tudo o que posso fazer é compartilhar a minha história. A história de limpar o Rio está nas mãos de pessoas de bem do Rio! O que você pode fazer? Ouse imaginar – uma cidade limpa, o Rio de Janeiro. Em apenas um dia. Converse com seus amigos, para ver o que eles pensam disso. Junte-se ao movimento, se você sentir que está pronto. Se mora em outro lugar, comece a preparar o movimento em sua cidade! Mudar a mentalidade das pessoas é um enorme trabalho, de equipe - por isso todos são bem vindos.”
Nem os traficantes nos morros amedrontam o movimento. Nolvak quer até a ajuda dos criminosos. “A verdadeira força da Campanha Limpa Brasil reside na união, em uma cooperação em massa com todos para limpar a cidade. Percebemos que a mudança de hábitos é uma tarefa gigantesca. É uma luta pessoal para muitos, não é fácil mudar maus hábitos . É como parar de fumar. Assim como um fumante precisa do apoio de outras pessoas para parar de fumar, nós precisamos de todos para decidir viver em um ambiente livre de lixo. Culpar alguém só faz as pessoas se defenderem e não resolve muito. Então por que não pedir-lhes para participar?”
São Paulo. O estoniano acredita ser possível realizar projeto semelhante numa cidade do porte tão grande como São Paulo. “Por que não? O time em Nova Deli está preparando o clean-up de tamanho semelhante (ao de São Paulo). Eles já fizeram um piloto de limpeza e estão buscando apoio. A questão não é o tamanho da cidade, mas a vontade das pessoas dizerem ‘eu quero São Paulo limpo’!”, observa.
“Eu estarei no Rio em breve, então eu vou poder te dizer. O maior problema do lixo da Estônia foi a combinação da falta de civilidade da população com a má administração do lixo. Simplificando, a sociedade civil e os poderes públicos simplesmente não se importavam. Isto permitiu a ignorância florescer. A limpeza começa dentro de si mesmo em primeiro lugar. Você tem que ter elevada autoestima e orgulho para começar. A campanha Limpa Brasil pode servir como uma excelente ferramenta para o desenvolvimento de ambos. Esta é a parte mais difícil – mas também a mais gratificante”, conclui.
Os megamutirões de limpeza começaram na Estônia, em 2008. Depois seguiu para os países vizinhos Lituânia e Letônia. Em março, Portugal deu o pontapé inicial do Limpa Portugal, com mais de 100 mil voluntários cadastrados. Também em abril, a Eslovênia agrupou 250 mil pessoas na limpeza do país. Nova Deli, na Índia, fará em setembro, assim como Romênia, seguida da cidade do Porto, em Portugal e depois Kiev, na Ucrânia.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Moradores no Parque de Itatiaia prometem insurreição

Hoje à tarde poderá ficar um pouco mais sério o embate que é travado na Justiça Federal pelos moradores do Núcleo Colonial de Itatiaia,  no Rio, contra a direção do Parque Nacional de Itatiaia e o Instituto Chico Mendes (ICMBio). Os proprietários das áreas que o governo federal quer desapropriar vão reagir ao que consideram um abuso de autoridade e arbitrariedade do diretor do Parque Nacional do Itatiaia, Walter Behr. Por causa das últimas chuvas, várias residências estão precisando de reformas, e o diretor está proibindo a entrada de caminhões com os materiais de construção até as propriedades, impedindo a passagem dos veículos no único portão de acesso. Agora os moradores decidiram pedir ajuda das polícias civil e militar e vão tentar, a qualquer custo, que os materiais de construção cheguem às suas residências. Os imóveis, que ocupam espaço em área de preservação ambiental, não podem ser ampliados ou modificados.

Pelo menos quatro caminhões deverão tentar a entrada na área controlada pela direção do Parque Nacional, levando as compras efetuadas por quatro moradores. O advogado e juiz aposentado Antonio Sebastião de Lima, que defende os interesses dos proprietários na Justiça Federal, por intermédio da Associação dos Amigos do Itatiaia – que reúne os moradores –, deverá estar na 99ª Delegacia de Polícia em Itatiaia, para registrar queixa caso os caminhões, novamente, sejam impedidos de chegar às residências na área que o governo federal tem considerado como parte da reserva. O advogado também pediu às polícias para verificar se os guardas que fazem a segurança do portão têm porte legal para uso das armas de fogo. Também haverá uma manifestação em frente ao portão de acesso do parque. O prefeito Luis Carlos Ypê e outras autoridades foram comunicados com pedido de adesão ao movimento.

Os moradores do Núcleo Colonial de Itatiaia são proprietários legítimos dos imóveis que ocupam – entre eles diversas residências, pousadas e hotéis – pois a área é particular, e o decreto de 1982, assinado pelo presidente João Batista de Figueiredo – que ampliou a área do Parque Nacional do Itatiaia para os atuais 30 mil hectares –, nunca passou de um papel assinado, já que nesses últimos quase 30 anos o governo não fez as desapropriações dos lotes particulares com escrituras. As possíveis desapropriações anunciadas pelo ICMBio estão sendo questionadas na Justiça Federal por isso, pois para os proprietários o decreto presidencial já caducou, e não pode valer mais. Além disso, os moradores não receberam, até agora, uma proposta dos valores dos imóveis para a desapropriação.

Os proprietários também mostram que há mais de 100 anos têm mantido a defesa da biodiversidade na área, já que dos lotes desmatados pela cultura cafeeira que foram comprados por seus antepassados surgiu a floresta que existe hoje e que está totalmente protegida, bem mais, segundo eles, do que as áreas sob guarda do ICMBios e da direção do Parque Nacional. Para os proprietários o governo federal não vê problemas nos imóveis, pois todos serão mantidos depois, caso haja a desapropriação, e terão uso similar ao que existe atualmente, o que não justifica a idéia da proteção ambiental. Para os moradores, o interesse do governo federal é somente o financeiro.